8.12.10



Esse é o primeiro design de capa que eu faço para um livro de literatura. E calhou de ser pro primeiro livro de um dos meus melhores e mais antigos amigos.

Já passou bem mais de um ano daquele dia em que o Edson me ligou e disse que a editora tinha topado publicar o livro. Não lembro se eu estava no ônibus ou se peguei um ônibus logo depois, mas sei que foi no meio da viagem da Granja Viana pra São Paulo que eu me toquei do quanto eu tava feliz pelo cara. Alegria de um irmão feliz pelo outro. Simples.

É engraçado como a coisa se inverteu ou, no mínimo, se equilibrou. Edson é o cara que sempre foi fã de todas as minhas bandas – e até lembrou de salvar a fita k7 de uma delas de dentro do carro metido barranco abaixo, numa viagem de volta de Minas pra São Paulo – e sempre quis me fazer acreditar que eu escrevo bem, mesmo eu não concordando com isso. Até que, aos poucos, ele também começou a mostrar uma ou outra música ou texto que ele produzia. E hoje sou eu que estou indo lá pegar uma assinatura do cara nesse puta livro, uma seleção de contos que é uma espécie de extensão literária de seus folks minimalistas, cada palavra com a mesma precisão de um acorde, dedilhado lentamente pelas escalas mais tristes e sombrias.

É assim o som desse livro. Como é o do belíssimo disco que ele está gravando. E eu fico muito feliz do cara ter me convidado para participar dos dois. Mais que isso, acho que há também uma espécie de orgulho em constatar que esse cara que virou meu amigo há muito tempo, quando descobrimos uma série de referências e ídolos em comum, agora também está lá, ocupando um espaço entre os músicos, artistas, escritores e cineastas sobre os quais já passamos mais de vinte anos conversando.

Não foi fácil fazer essa capa. Foi um processo bem demorado, onde eu basicamente não fiz e não conseguia fazer nada. Li o livro cinco vezes. Passei dois meses olhando pro computador sem nenhuma idéia sequer de por onde começar. E então uma série de acasos foi juntando as coisas, até formar uma imagem na minha mente. E, como sempre, eu até tentei dar voltas, pensar em outras coisas, numa espécie de negação de algo que para mim parecia um tanto óbvio. Até que eu entendi que esse livro não poderia ter outra capa. E percebi que o Edson concordava comigo, o que era muito importante. E então reproduzi o mais fielmente possível a imagem que eu tinha criado.

Leia o livro. Ouça o disco. 5 vezes cada e talvez a capa pareça mesmo óbvia. Ou talvez sejam necessários uns 20 anos.

3 comentários:

Anônimo disse...

Você escreve bem, e sabe ser um Bom Amigo.
Forte Abraço

Pierre Masato

Rodrigo Sommer disse...

Valeu Pierre!
Abração.

Edson disse...

viu? não sou só eu que diz que vc escreve bem.