11.5.10
"como os discos que soam nos porões ruidosos e morgados que abrigam os amores vãos"
É uma merda. Eu começo um blog novo e logo não tenho mais o que escrever. Ou tenho, mas não quero escrever sobre isso. Ou quero, mas não sei como. Eu tô chapado lendo o Cormac McCarthy e não é por isso que eu parei ou vá parar de escrever. Mas eu não estou lendo só o Cormac McCarthy. E nem estou só lendo Cormac McCarthy. É que de repente, em uma curta sequência de dias, coisas demais fazem sentido demais ao mesmo tempo. Eu fecho o livro incrível do Murakami, ligo a TV e está começando o Tokyo Sonata e um completa o outro de tal forma que depois eu não consigo nem sonhar em dormir. Acho esse Após o Anoitecer o melhor Murakami que eu li. Tava dizendo isso pro Pierre agora há pouco, o Murakami me dá sempre a impressão de um texto muito louco, cheio de coisas, bonito e bem arrumado, mas que espremendo bem não sobra muita coisa. E esse livro é o contrário. Há quase uma falta do Murakami de sempre. Você vai lendo e várias vezes pensa "é só isso?". Aí uma hora o livro acaba e rola um "pronto, acabou" mental e sei lá, você vai até a cozinha ver se tem Miojo pra fazer, e não acabou porra nenhuma! Puta história e puta forma de contá-la. Tá, o Tokyo Sonata não vem junto com o livro, mas podia, porque há muito do japonês que eu (não) sou e andava um pouco distante de ser nos dois. E eu tinha acabado de ler as Memórias da Sauna Finlandesa, que não pode ser mais distante do Murakami. Mas os dois juntos fazem um enorme sentido que nem ele nem o Mirisola iriam admitir. "Saudade da solidão de antes, uma solidão irrecuperável." Caralho, Mirisola! Essa frase tá na minha cabeça há dias (ou anos?). E o Fatih Akim é genial. Soul Kitchen na verdade não é, mas esse cara é tão foda que o filme não deixa de ser genial boa parte do tempo. E que mulheres bonitas as do filme. Bom, e pra fechar, a banda do Romulo Fróes fez um show absurdo na sexta. Engraçado que quando o Romulo começa a liberar um lado mais forte de intérprete no vocal, a banda ao mesmo tempo se torna mais autônoma e mais importante. E com aquela banda, a música só ganha com isso. E no sábado teve o Bonifrate. Terminando uma das músicas novas, o Valentino, que toca com ele no Supercordas, soltou um "caralho, quase chorei agora". "Eu também" falou um visivelmente emocionado Boni. Eu passei do quase... A música é "Cantiga da Fumaça" e tá lá no myspace. E vá ver o Supercordas hoje (11/05) no CB. Não é sempre que esses cariocas muitíssimo gente boa estão por aqui. E eu na verdade nem ia na JamSession na Coletivo Galeria hoje (ontem), mas havia o acaso me apontando uma cadeira vazia na mesa do brother Pierre, na cerveja que eu fiquei devendo semana passada.
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Um comentário:
Sommer,
É a música do acaso (puta titulo do Paul Auster).
A gente sempre nessa cerva inesperada e que rende belas noites.
Depois sai caminhando pela cidade, coisa que me dá um prazer inexplicavel.
Forte Abraço
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